EXCERTO DA CONFISSÃO
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CAPÍTULO XII: A NOITE DE SÃO JOÃO EM SENS
“Não havia como conter as vértebras. Senti cada uma delas estalar para trás como gravetos verdes lançados ao fogo ardente. A cartilagem de meu nariz alongou-se de forma repugnante, sugando o odor pungente de sangue fresco e folhas podres da charneca a três léguas dali. Gritei por socorro, mas o ar que escapou de minha garganta humana não possuía palavras; era um rosnado tão cavernoso e profundo que as pedras da cela pareceram tremer em agonia perpétua.”
“A pele de minhas mãos rasgou-se sob o peso de garras negras de quitina. Já não me importava a França, nem os comunardos, nem o amor de Aymar. Havia apenas a fome — a fome que nenhum pão terrestre jamais poderia saciar. Quando o primeiro raio lunar cruzou as grades de ferro, a besta já não era meu castigo: ela era a minha única verdade.”
Fonte: The Werewolf of Paris, Guy Endore (1933, Tradução de Gabinete)
EXCERTO DO CALENDÁRIO SINÓDICO
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NOVEMBRO: A CONFISSÃO NO CONFESSIONÁRIO
“A lua congelada sobre Tarker’s Mills brilhava como a pupila de um olho cego de Deus. Lowe ajoelhou-se diante do crucifixo da Igreja Batista Grace, mas suas orações transformavam-se em saliva espessa. A febre lupina subia pelos seus tendões. Os nós dos dedos inchavam; suas roupas clericais desfiavam-se pelo peito que se expandia numa couraça de pelos cinzentos e espessos.”
“Ele não queria matar Marty Coslaw, o menino na cadeira de rodas. Mas a Besta dentro da batina exigia comunhão. Quando o vento uivou contra os vitrais coloridos, Lowe soube: o mal não havia chegado de fora nas florestas de pinho. O mal sempre estivera rezando no púlpito.”
Fonte: Cycle of the Werewolf, Stephen King & Bernie Wrightson (1983)
TRANSCRIPCIO EX ARCHIVIS BEDBURG
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PANFLETO LONDRES // TRADUZIDO DO ALEMÃO
“Declarou o réu Peter Stumpp, sob tormento dos polegares e da roda, que aos doze anos recebeu do Demônio uma cinta de couro encerada. Cada vez que cingia tal fita à cintura, transmutava-se incontinenti na figura de um lobo voraz, grande e forte, com olhos incandescentes e dentes de navalha, devorando infantes e ovelhas sem distinção pelos campos de Colônia por vinte e cinco anos.”
“E retirando-se a dita fita, retornava à sua compleição humana sem qualquer marca aparente, exceto a palidez cadavérica e o tremor das juntas. A cinta mágica nunca foi encontrada pelos soldados do arcebispo, crendo-se ter sido recolhida pelo próprio Satã na hora de sua captura.”
Fonte: The Damnable Life and Death of Stubbe Peeter (Londres, 1590)